História

No dia 17 de agosto de 1808, travou-se, entre as colinas da Columbeira, Roliça, Baraçais e Azambujeira dos Carros, um combate entre uma divisão francesa e o corpo expedicionário britânico que havia desembarcado no início do mês na Foz do Mondego.

As forças britânicas, comandadas pelo general Sir Arthur Wellesley, marchavam em direção a Lisboa ao longo da faixa costeira, onde aguardavam o desembarque de reforços. O general francês Henri François Delaborde tinha como missão atrasar o avanço britânico, concedendo tempo ao general Junot para concentrar as suas forças e preparar uma batalha decisiva.

Sir Wellesley decidiu não esperar pelos reforços e antecipou o ataque. Delaborde, apesar da inferioridade numérica das suas tropas e aguardando a qualquer momento reforços franceses, aceitou o combate. Encontrara, a sul da Roliça, uma posição defensiva favorável, onde o caminho para Lisboa atravessava um conjunto de colinas escarpadas.

Numa primeira fase, durante a manhã, as tropas britânicas avançaram lentamente desde Óbidos em direção à Roliça. Quando alcançaram a pequena elevação onde esperavam encontrar os franceses, estes já tinham abandonado a posição. Executando uma manobra rápida de retirada, recuaram cerca de um quilómetro para sul, ocupando uma posição ainda mais forte nas colinas da Columbeira.

A segunda fase da batalha iniciou-se com um intenso bombardeamento das posições francesas, no qual o próprio general Delaborde ficou ferido. Wellesley repetiu então a manobra de envolvimento que tentara durante a manhã: ordenou que o centro das suas forças pressionasse o inimigo entre as colinas, enquanto duas colunas, pela esquerda e pela direita, procuravam flanquear as posições francesas.

Durante o confronto, o 29.º Regimento britânico, que avançara demasiado entre as linhas inimigas, sofreu um violento contra-ataque. O seu comandante, tenente-coronel Lake, foi morto a tiro, e o regimento ficou momentaneamente desorganizado. É a muito custo que foi possível repelir os franceses e recuperar o controlo do terreno.

A partir desse momento, os combates intensificaram-se em toda a frente. As forças britânicas lançaram sucessivos assaltos às colinas ocupadas pelos franceses, dando origem a confrontos particularmente duros.

Por volta das quatro horas da tarde, o general Delaborde ordenou a retirada geral. Embora executada com disciplina e protegida pela cavalaria, a retirada obrigou os franceses a abandonar no campo de batalha três peças de artilharia e cerca de 600 homens entre mortos, feridos e prisioneiros. As perdas britânicas foram de dimensão semelhante, sendo cerca de metade resultantes do episódio envolvendo o 29.º Regimento.

A Batalha da Roliça constituiu assim a primeira vitória aliada da Guerra Peninsular, travada pelas forças britânicas e portuguesas contra o exército de Napoleão Bonaparte.

O combate teve um papel relevante no enfraquecimento da Primeira Invasão Francesa de Portugal e contribuiu para afirmar o prestígio militar de Sir Arthur Wellesley, futuro Duque de Wellington, que anos mais tarde derrotaria definitivamente Napoleão na Batalha de Waterloo, em 1815.

Quer conhecer mais da nossa história? Veja abaixo os capítulos seguintes.